EM BUSCA DA IGUALDADE

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.”

(Karl Marx)

Uma sociedade democrática, justa e humanitária pressupõe o respeito a todas as pessoas e a garantia de direitos, independente de sexo, cor, idade, condições físicas, mentais e orientação sexual. Esta é uma disposição de nossa Lei maior, desde 1988. Cabe aos conselhos promoverem a discussão na sociedade, estimulando a transformação da mentalidade antiga para estes novos conceitos, visão de homens e mulheres, combatendo as desigualdades e valorizando a diversidade humana, em que todas as diferenças são fundamentais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Plano de Ação - Pólo Pinheiros - Grupo 04


Fórum Comunitário “Construção da Igualdade de Gênero”.



Objetivo Geral da ação:

  • O objetivo do Fórum Comunitário para as Mulheres é discutir e elaborar propostas de políticas que contemplem a construção da igualdade de gênero, com o fortalecimento da autonomia econômica, social, cultural e política das mulheres, e contribuir para a erradicação da pobreza e para o exercício pleno da cidadania, tendo como prioridade a participação de todos, na busca de soluções para os problemas, interagindo Famílias, Escolas e Comunidades, propondo uma nova forma de viver, através da conscientização e ações para transformar a sociedade.
Justificativa:


Nós, mulheres brasileiras, fomos protagonistas de importantes mudanças no país, no último século: na casa, na rua e na Política. Não somos mais as mesmas. Mudamos e contribuímos para os avanços da sociedade. Estamos na luta permanente para mudar o Brasil e por um mundo fraterno, solidário, sem violência, sem preconceito, sem sexismo, sem racismo e com justiça social.
Nós, mulheres brasileiras, há muito afirmamos que políticas públicas para as mulheres devem ser pensadas com integralidade, ou seja, na junção das políticas econômicas com as políticas sociais. As mulheres negras venceram o medo e tiveram a coragem de romper com uma estrutura racista e patriarcal, que lhes negava a humanidade. As lésbicas tiveram a coragem de romper com os padrões hegemônicos dos donos dos sentimentos e demonstrar que não existe uma única maneira de amar e serem amadas. As agricultoras, que revolvem a terra, semeiam e colhem mais que nossos alimentos cotidianos, nos devolvem esperança. As feministas, que demonstraram que os direitos das mulheres são direitos humanos e que a autonomia é fundamental para que possamos governar nossas vidas, nossos corpos, nossa sexualidade, nosso país. É preciso ter sempre em mente qual é a situação da mulher brasileira hoje. Importantes espaços nas empresas privadas e na vida pública já deixaram de ser exclusividade masculina. Ao contrário de antes, por exemplo, as mulheres passam mais anos estudando do que os homens.
Este Fórum fundamenta-se na mobilização e conscientização da comunidade, para que seja discutido com a comunidade questões referente à política pública para mulheres no Município de Pinheiros.
Atualmente, o nosso desafio como futuros Gestores em Políticas Públicas é mobilizar a sociedade para uma conscientização voltada para a construção, baseada em mudanças de valores e atitudes. A participação ativa de todos é de suma importância para a construção de atitudes e mudanças na sociedade em nossa região, nos valores e na melhoria da qualidade de vida da população em todos os sentidos, levando conhecimento, auto-ajuda e entretenimentos. 
É preciso fazer valer as leis dos direitos de cidadãos, mas para isso é necessário acabar com diferenças sociais tão marcantes  em nosso País. Para tanto se faz necessário a implantação de políticas Públicas que viabilizem esses direitos, através da educação de qualidade e  condição de trabalho a todos independente de cor, raça e gênero. Compete a todos nós a responsabilidade de contribuir para a construção de um mundo novo. Os resultados reais dessa transformação só acontecem quanto se respeita a vida e as diferenças que marcam os indivíduos.

Descrição da ação:



O tema central do evento será “Erradicação da pobreza”, desenvolvidos a partir de quatro eixos estratégicos. São eles: Autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho, com inclusão social; Enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres; Participação das mulheres nos espaços de poder e decisão; Direito à terra, moradia digna e infra-estrutura social, nos meios rural e urbano, considerando as comunidades tradicionais. O evento ocorrerá no teatro Municipal de Pinheiros para toda Comunidade Pinheirense, com o foco especial nas mulheres, através de palestras e debates. 



Cronograma:

     - O Fórum Comunitário para Mulheres de Pinheiros se desenvolverá em etapas:
    Novembro 2011
    - Apresentação da Proposta as Secretárias Municipal de Educação, Saúde e Cultura.
    ·                    Contratação dos Palestrantes;
    ·                    Preparação (Divulgação: Panfletos, folders e Propaganda carro de som);
    ·                    Elaboração do diagnóstico da situação das mulheres no Município;
    Fevereiro 2011


    •  Realização do evento;
    • Comprovação por meio de relatórios
    População beneficiada:


    • População Pinheirense
    • Comunidades, Diretores e Professores de Escola Pública e Particular, Gestantes, Idosos e Estudantes acima de 18 anos.

    Referências Bibliográficas:


    1.Desigualdade Salarial. 2. Discriminação por Gênero. 3. Discriminação por Raça. 4. Desigualdade Educacional. 5. Simulações Contra-factuais. I .Ferreira, Francisco H. G. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Economia. III. Título.Anna Risi Vianna

    Vídeo: A DÁDIVA DA MULHER


                                    http://www.youtube.com/watch?v=FbBFXeyVswU&feature=fvsr




    Amélia, nunca mais!

    Amélia, personagem dos versos de Mário Lago musicados por Ataulfo Alves em 1941, não tinha a menor vaidade e passava fome ao lado de seu amor. Entre outras renúncias, isso fazia dela uma "mulher de verdade", segundo os padrões machistas da época. E hoje, mais de meio século após a gravação da canção, será que ainda há lugar para essas mártires? O artigo de Lya Luft e a reportagem sobre as assassinas de Tucumán fornecem a resposta. 

    Estropício 
    Itamar Assumpção
     


    Quando já é madrugada mexe o trinco da porta / Eu dormindo sossegado e você chegando torta / Penso ser troço mandado pois a coisa anda solta / Desmilingüida na escada você parecia outra / Estava doida varrida, farrapo, trapo, danada / Esparramada, caída, tendo que ser carregada / O que que faço com isso, perguntava enquanto olhava / Para você, estropício, que gemia, delirava / De palhaçada já chega muito a troco de nada / Sou eu quem segura as bombas quando você xinga os guardas / Amanhece com ressaca, não consegue abrir as pálpebras / Umas nas outras coladas parecendo que tá morta / Passou da medida, chega, transbordou o copo d’água / Pra que que quero quem chega quando já é madrugada / Acordando o mundo inteiro, vomitando na calçada / Pra que quero quem chega e já não presta pra nada / Quando já é madrugada...
     



    Olhando a paisagem 
    Luiz Tatit 

    Odete me deixou lá fora
     
    olhando a paisagem / Foi dar uma voltinha, fazer qualquer coisa /
     
    Ê, Odete, toda enigmática /
     
    Nunca diz aonde vai
     
    Mas bem que ela foi inteligente mostrando a paisagem / Pois eu não estava fazendo nada mesmo /
     
    Imagine que coisa tediosa ficar ali esperando / Sem ter o que olhar
     
    No entanto, não tinha sentido
     
    ela demorar tanto / Deixando-me ali horas e horas / Anoitecia, passavam-se os dias / E nada de Odete voltar
     
    Até que eu fiquei desconfiado
     
    que algum imprevisto / Algum contratempo tivesse afligido Odete / Foi a conta! Entrei pra dentro e comecei a telefonar
     
    Liguei pra um monte de gente /
     
    E todos foram unânimes / Infames! Tentavam me convencer / Que Odete não ia voltar /
     
    E pediam pra que eu desistisse / Que desistir uma pinóia!, eu respondia / Vai voltar, sim!
     
    O que me intrigava na história é que o tempo passava / Passava e já tinha um mês e meio / E olha que isso é muito! / Pra quem espera o tempo passa devagar
     
    Mas quando eu já estava no auge da desilusão e da desesperança / Quem é que aparece? / Quem é que pinta na minha paisagem? / Quem é que vem segurando um pacote? / Quem é que pede pra eu dar uma mãozinha / Quem é que me aperta, me abraça e me dá um beijo, quem é? / Quem é que chega com a cara cansada / E no entretanto inda topa fazer um café? / Quem é? Quem é? Quem é? / Vamos, respondam só isso: Odete!!!


    Consultoria Fernanda Padovesi Fonseca
    Professora de Geografia do UniFIEO, de Osasco (SP)



    terça-feira, 4 de outubro de 2011

    Violência doméstica contra a mulher: Lei Maria da Penha


                             


                                 Vídeo: Mulher, Hoje recebi flores
                                http://www.youtube.com/watch?v=Y6q1kfp3J9I


    Como é possível que exista violência doméstica contra a mulher?
    Acabamos de sair do século 20, quando o código civil ainda considerava o homem o chefe da família; e os escravos, bens móveis.  
    Com o intuito velado de abafar a sexualidade feminina, o adultério feminino era considerado crime, e as filhas se fossem "ingratas" com o pai podiam ser deserdadas. Vejam a que nível chegava o grau de retrocesso em nossa lei!
    Código do tempo de D. Pedro I revogado só em 2002
    Em 2002 este artigo do código civil arcaico foi revogado e substituído por um artigo que primava pela não violência familiar sem fazer distinção entre os direitos de homens e mulheres. 
    Apesar deste avanço na legislação brasileira, as agressões continuavam.
    Com aquela mentalidade vinda de anos de machismo e o homem ainda se achando proprietário de sua mulher e filhas, continuavam agredindo aquelas que eles mais deviam amar.

    Por que a necessidade da Lei Maria da Penha?

    Como normalmente os homens são os mais fortes e, na sua formação ainda trazem arraigado o conceito de ser o chefe e ter o direito sobre sua família; é ele que normalmente agride seus familiares.
    Para proteger as mulheres contra a violência dentro de suas casas, foi promulgada em 07 de agosto de 2006 a Lei 11340/06 batizada de Maria da Penha em homenagem a uma mulher que ficou paraplégica devido a um tiro que levou do marido. Ela se tornou o ícone da luta contra a impunidade dos agressores no lar.

    Menos educação mais violência contra as mulheres

    Quanto mais baixo o nível cultural das famílias, mais violência contra a mulher é constatada. Estes homens que vivem em cidades grandes, em condições sub-humanas, sem conseguir dinheiro suficiente para cuidar de sua mulher e dos muitos filhos que geralmente têm; se entregam à bebida e chegando em casa agridem sua mulher por qualquer motivo. Este é um entre muitos outros motivos. Juristas estão questionando a constitucionalidade desta lei que privilegia apenas as mulheres e não qualquer pessoa que sofra violência doméstica. Querem um tratamento igual para homens e mulheres quando a questão é violência no lar.


    Aqui, na cidade de Pinheiros aconteceu a semana da saúde da mulher e dos homens. Essa campanha permitiu a ambos tanto homens quanto mulheres a cuidar da saúde, ficando assim aptos a desenvolverem suas tarefas, pois quando as pessoas estão com problemas de saúde, ficam incapazes de trabalhar. Essa oportunidade foi de grande valor, pois contribuiu muito para a valorização da saúde e do bem estar independente do gênero. Na escola que eu trabalho, nós professores e equipe pedagógica, incentivamos e acompanhamos a participação dos nossos alunos do Ensino Médio e de toda escola e comunidade, já que o convite foi estendido a todos.
    Na escola São João do Sobrado nós estamos desenvolvendo um projeto de Gestão democrática, onde o nosso principal objetivo é integrar escola, pais, alunos e comunidade. Todos os meses nós realizamos eventos onde ocorre o contato e integração das pessoas e a valorização do trabalho de todos. Com essa ação nós queremos construir uma escola mais democrática, onde educar não é apenas uma função da escola, mas sim de todos e podemos contar com a presença mais freqüente da família na escola contribuindo no processo de educação dos filhos. 



    Reportagens Coisa de menino. Coisa de menina. Será?

    Alicia Fernández: "Aprendizagem também é uma questão de gênero"
    Para a psicopedagoga argentina, as dificuldades da criança em sala de aula têm relação com os papéis atribuídos a homens e mulheres
    Uma questão despertava a atenção da psicopedagoga argentina Alicia Fernández na década de 1980. A maioria dos casos relacionados a dificuldades escolares que chegavam ao consultório dela se dava com meninos e não com meninas. Um estudo realizado entre 1986 e 1989, com crianças e jovens menores de 14 anos, comprovou uma observação: 70% deles eram do sexo masculino. A constatação de que o cenário se repetia em outros países estimulou a investigação sobre o assunto. O resultado está no livro A Mulher Escondida na Professora, que discute o papel feminino na Educação. Com 63 anos, a diretora da Escola Psicopedagógica de Buenos Aires presta serviços de consultoria a instituições de formação em seu país e também no Uruguai, em Portugal, na Espanha e no Brasil. "Sinto que sou um pouco nômade", afirma. Atualmente, ela desenvolve pesquisas sobre hiperatividade e déficit de atenção na infância, problemas que cada vez mais são identificados, inclusive no Brasil.
    Nesta entrevista, concedida à NOVA ESCOLA no Uruguai, Alicia explica que esses distúrbios são reflexos do comportamento da sociedade, permeado pelas questões de gênero, e não algo que aparece de forma espontânea e isolada em cada um dos alunos. 
    Por que relacionar as questões de gênero à aprendizagem? 
    ALICIA FERNÁNDEZ Percebi que a maioria das crianças que chegava para o atendimento psicopedagógico em meu consultório era de meninos. Achei que essa observação merecia uma pesquisa. Procurei estatísticas em outros países e constatei a mesma situação. Ainda hoje, de 75 a 80% dos pacientes encaminhados para o atendimento desse tipo são do sexo masculino.Para entender melhor a questão, comecei a analisar as famílias e percebi que em casa a figura feminina (mãe, avó, babá, irmã mais velha, tia etc.) era a responsável pelas primeiras descobertas dos pequenos.
     Como a orientação feminina interfere na aprendizagem dos meninos? 
    ALICIA Considerando que os humanos aprendem por identificação, é possível imaginar como é difícil para um garotinho ser ensinado por uma mulher a fazer xixi usando o vaso sanitário,por exemplo. Ela não é um modelo para ele porque não age da mesma maneira. Isso se repete na escola, onde a maioria é de professoras. Sempre queremos nos parecer com quem ensina e é por isso que para os meninos é mais complexo dar uma significação prazerosa ao conhecimento. 

    Como se explicam, então, os problemas escolares apresentados pelas meninas em sala de aula? 
    ALICIA Com as garotas, o caso é outro. As dificuldades delas ficam escondidas porque o modelo que se tem de bom aluno é aquele que não questiona, é quieto, obediente, passivo e caprichoso nas atividades. Elas, em geral, reúnem essas características e, por isso, são valorizadas. Esses critérios de avaliação são criados por mulheres, que não consideram as questões de gênero presentes na sociedade. Se esse processo fosse encabeçado por homens, a situação seria diferente porque eles levam em conta outras coisas, como a espontaneidade e a ousadia.Porém o problema não se resolveria se eles também não pensassem nessa dicotomia.
     Quais as principais queixas em relação aos estudantes encaminhados aos consultórios psicopedagógicos? 
    ALICIA Os meninos apresentam hiperatividade e as meninas são diagnosticadas com distúrbios de atenção - estão sempre dispersas e não se concentram. Ambos os casos levam à dificuldade de aprendizagem e são considerados questões de gênero. Quando falamos de crianças, o maior número de pacientes é do sexo masculino, mas a proporção se equipara quando nos referimos aos adolescentes. Isso acontece porque eles, de modo geral, questionam tudo e todos.É assim que constroem o seu pensamento. Se a garota foi reprimida na infância, podem se manifestar durante sua adolescência distúrbios como anorexia e bulimia. Ela não se permite comer para se satisfazer ou come e sente necessidade de vomitar. É como se não tivesse direito de se apropriar do alimento. Essa mesma lógica ocorre em relação ao conhecimento. 
    Cabe ao professor desenvolver um trabalho intencional sobre gêneros? 
    ALICIA Eu afirmaria que sim se não tivesse medo de isso se transformar numa técnica, ou seja, o educador falar sobre o assunto duas horas por semana e nada mais.O assunto é para ser trabalhado de maneira transversal, com constância, nas mais diferentes disciplinas.É preciso, por exemplo, corrigir alguns textos que se encontram nos livros de História, como: "Os egípcios moravam na beira do rio Nilo. Suas mulheres..." O texto não diz claramente que as mulheres são propriedade dos homens, mas sutilmente sugere que a palavra egípcios, no trecho, não se refere ao povo como um todo. Essas mensagens subliminares são profundas e perigosas, pois criam um modo de pensar. É necessário excluir isso das aulas. 
    Cite outras situações de preconceito em relação à mulher. 
    ALICIA Quando procuramos as palavras homem e mulher em dicionários espanhóis e brasileiros, encontramos embaixo da primeira a seguinte definição: "homem público, indivíduo que ocupa um alto cargo do Estado". Já mulher pública é definida como prostituta, meretriz. Isso está em publicações que, se supõe, falam de conceitos e não de mitos. A professora é uma pessoa pública, uma cientista, importante na vida da comunidade. Outro exemplo de problema relacionado ao gênero: as carreiras de caráter feminino demoram mais para serem reconhecidas. Isso acontece especificamente no Brasil com a Psicopedagogia, em que a maioria dos profissionais é mulher e - diferentemente do que ocorre na Argentina - ainda não é regulamentada. 

    Pesquisas indicam que muitos educadores atribuem dificuldades de aprendizagem dos alunos a uma condição social desfavorável. 
    ALICIA Não acredito nisso. Na Argentina, no sul da Patagônia, trabalhei com psicopedagogos e docentes numa comunidade indígena. Havia a idéia de que o povo que ali vivia não aprendia. Quando a história dessa comunidade começou a ser explorada, descobrimos que no passado os índios tinham muito conhecimento na área da saúde. Com isso, ficou claro que antes eles não aprendiam porque precisavam esconder suas origens e, assim, se adequarem aos nossos padrões. Alguns deles foram matriculados em escolas regulares argentinas e alcançaram notas altas nas avaliações, ficando entre os 10% com melhor desempenho dentro da capital federal. Esse exemplo comprova que se reconhecermos que, o outro é inteligente, independentemente 
    de raça, classe social e sexo, grande parte
     
    das dificuldades deles desaparece.
     
    Como as questões de gênero influenciam a profissão docente? 
    ALICIA Os sistemas educativos estão organizados conforme as sociedades patriarcais e, por isso, aspectos da singularidade dos gêneros são negados ou exibidos com excesso, quase como em uma caricatura.
     Esses estereótipos prejudicam os docentes e, sem dúvida, os estudantes. O que o homem deixa de lado quando se dedica ao magistério? 
    ALICIA Às vezes, ele é o único dentro de um grupo grande de mulheres. Por isso, pesa sobre ele a responsabilidade do sexo masculino, ou seja, ele é visto como o grande pai. Quando é preciso chamar a atenção de um aluno, delegam essa função a ele - que não pode se constituir em um modelo de masculinidade como deseja. Não é permitido ao professor, por exemplo, agir com ternura, criatividade e sensibilidade. Se ele assume esse lado, vira motivo de chacota. 
    E a mulher, o que esconde? 
    ALICIA As próprias idéias. Ela não discute opiniões e tem medo de publicar algo que escreveu. Não é à toa que 90% dos docentes são do sexo feminino e a quantidade de livros publicados por homens é muito maior.Na maioria dos países que pesquisei, cerca de 80% das publicações desse tipo são de homens. 
    Como mudar essa situação?
     ALICIA Para que as mulheres se autorizem em público, é preciso que elas estejam dispostas a enfrentar quem não concorda com elas. Não é fácil. É necessário tempo para que isso aconteça, pois elas foram preparadas para estarem sempre sorridentes e submissas às imposições. Há trabalhos extraordinários que as professoras fazem e que deveriam se tornar públicos. Entretanto, elas não se animam a escrever suas experiências. Muitas dizem que são a única a pensar de forma diferente na escola. Então, pergunto: "Você já socializou suas idéias com colegas?" Geralmente a resposta é não.Nesse momento, digo que é possível existirem mais duas ou três que compartilham as mesmas opiniões e, juntas, elas poderiam ganhar força nesse questionamento.Por outro lado, há mulheres que quando querem se impor carregam na caricatura do sexo oposto. Elas são ouvidas, mas ficam com a imagem de agressivas e violentas. Esse não é um bom modelo nem para os alunos nem para a sociedade. 
    Essa falta de autoria tem a ver com as experiências na infância? 
    ALICIA Sim. A mulher que não se expõe é reflexo da menina que teve de esconder o que pensava, pois suas perguntas nunca eram consideradas apropriadas e as respostas sempre estavam incorretas. Com isso, deixou de questionar o mundo ao redor e passou a registrar tudo em um diário que ninguém pudesse ler. Essa é uma prática comum e exclusivamente feminina.Quando trabalho a psicopedagogia com adultas, proponho o resgate da garotinha que elas já foram um dia para que voltem a se permitir fazer perguntas, conhecer, descobrir e serem espontâneas. Defendo que nunca nos esqueçamos da criança e do adolescente que fomos no passado. 
    Como não minar o espírito infantil que há em cada aluno? 
    ALICIA Geralmente, na passagem da préescola para o 1o ano, parte das atividades comuns na Educação Infantil é deixada de lado para que se foque mais nos conteúdos escolares. Com isso, a mensagem passada é que a vida mudou e é necessário assumir afazeres mais importantes. Artistas, poetas, escritores e mesmo os cientistas - autores de grandes invenções para a humanidade - guardam a essência do brincar.Nenhum desses profissionais seria bem-sucedido se não tivesse viva a criança interior, que é questionadora. Os educadores podem ajudar a mudar muito a sociedade nesse sentido. Claro que é um trabalho demorado, mas é profundo porque ele está em contato com seres que são frágeis e aprendem por meio de referências. 
    De que maneira um mestre pode se tornar um modelo? 
    ALICIA Sempre nos lembramos daqueles que ensinavam com entusiasmo e dos que tinham senso de humor.Nunca nos remetemos a eles como alguém que lecionava bem. Quando se alfabetiza, por exemplo, se ensina o amor pela leitura e não só o ato de ler. Se o aluno aprende apenas a técnica, não vira um bom leitor. Quando um mestre desempenha sua função com esse grau de qualidade, deixa para trás qualquer problema relacionado à questão de gênero.
    Quer saber mais?
    BIBLIOGRAFIA
    A Inteligência Aprisionada
    , Alicia Fernández, 264 págs., Ed. Artmed.
    A Mulher Escondida na Professora, Alicia Fernández, 182 págs., Ed. Artmed. O Saber em Jogo, Alicia Fernández, 184 págs, Ed.Ar tmed.
    Os Idiomas do Aprendente, Alicia Fernández, 224 págs, Ed. Artmed
    Psicopedagogia em Psicodrama, Alicia Fernández, 208 págs., Ed. Vozes.

    INTERNET
    Acesse
     www.epsiba.com e leia em espanhol artigos de Alicia Fernández

    As transformações da situação social da mulher, sociologia do comportamento




    Segundo antecipou a presidenta durante a entrevista, a viagem a Nova York será um momento para discutir temas importantes, como o papel da mulher no mundo, a transparência nas ações dos governos e o combate a doenças crônicas. Outra temática que merecerá destaque – afirmou a presidenta – é a crise econômica mundial.
     
    Mulheres: entre o lar o trabalho
    A constituição e a organização da estrutura familiar não são estáticas. No decorrer da história, as famílias já passaram por várias transformações. Em geral, essas mudanças implicaram alterações substanciais na situação e no papel social da mulher. Dessa maneira, elas tanto puderam arcar com as tarefas domésticas tradicionais quanto, na atualidade, desempenhar atividades anteriormente reservadas exclusivamente aos homens. Com base nesse plano de aula e na reportagemElas estão de volta ao lar, investigue com seus alunos quais foram, nas últimas décadas, as transformações mais decisivas na situação social da mulher.

    Modernamente, a família sofreu grandes mudanças em decorrência da expansão do processo de industrialização verificado após os anos 1950 em muitos países. Parte dessas mudanças foi ocasionada pelo fato de a mulher começar a trabalhar no processo produtivo, adquirindo autonomia financeira e intelectual. Emancipada, ela conquista direitos semelhantes aos dos homens, que perderam em quase todos os lugares o papel tradicional de provedor do lar.
    Esse fenômeno tem grande significado. Ao solapar o poder e o privilégio masculino no interior da relação familiar, ele contribui decisivamente para o aparecimento de uma situação nova, na qual os parceiros estão em posição de mais igualdade. Isso torna possível a supressão do autoritarismo masculino na relação familiar e contribui para o aparecimento de uma nova forma de organização da família, mais baseada na decisão de cada parceiro e no diálogo aberto. Tal fato está, por sua vez, diretamente relacionado aos valores e práticas de uma sociedade democrática. Se democracia é compartilhar direitos e deveres em situação de igualdade, então a nova estrutura familiar é democrática.
    O sociólogo inglês Anthony Giddens constata, inclusive, uma alteração significativa nos motivos que levam à formação de um casal ou de uma unidade familiar. A relação não mais é estabelecida para garantir a sobrevivência material, como ocorria no casamento tradicional, com suas imposições e normas arcaicas, mas para os parceiros conquistarem e criarem vínculos afetivos, nos quais podem desenvolver suas potencialidades, de modo a poder viver conjuntamente com base em mútua decisão ancorada numa "comunicação emocional". Giddens identifica a emergência de uma "democracia das emoções na vida cotidiana", que seria tão importante quanto a democracia pública.

    Conduza a discussão indagando se a moçada conhece os motivos sociais de tal transformação. Mostre que, para sociólogos como Göran Therborn ou para o demógrafo Emanuel Todd, a nova configuração familiar também resulta da expansão da educação formal e do acesso das mulheres à Educação Superior. Comente, ainda, que qualquer tentativa de entender a situação atual da mulher não pode desconsiderar a luta feminista, que desde a década de 1950 começou a batalhar pela conquista de novos direitos ou pela ampliação dos existentes, objetivando alcançar plena igualdade dos gêneros. Destaque a importância, nessa luta, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, companheira do filósofo existencialita Jean Paul Sartre, que escreveu vários livros sobre a condição feminina, como
     O Segundo Sexo. Explique o significado de sua principal tese: a de que a noção de "feminino" é uma criação dos homens, que assim atribuem algumas qualidades inerentes às mulheres, a fim de imputar a elas certos papéis sociais, como a de mãe ou esposa amorosa. Conclua a aula pedindo para que todos escrevam um breve relatório sobre o assunto trabalhado.



    O núcleo familiar tradicional, composto por um casal e por seus filhos, predominou no país até meados do século 20. Comente como, nesse tipo de organização familiar, imperavam relações muito desiguais, nas quais o homem apresentava maior poder diante da mulher e dos filhos, já que desempenhava o papel de provedor. Saliente que esse modelo de homem provedor - figura central na estrutura patriarcal - paulatinamente perdeu força em detrimento do fortalecimento do papel da mulher, causado tanto por sua inserção no mundo do trabalho, que estimulou o aparecimento de uma maior igualdade entre os sexos no ambiente doméstico, quanto por sua rápida escolarização. Atualmente, as mulheres permanecem na escola em média 7,2 anos, enquanto os homens permanecem nela apenas 6,9, em média, segundo dados do IBGE.


    Apesar das transformações em curso, a mulher brasileira continua a ter maior parcela de responsabilidades, visto que em geral assume também os afazeres domésticos e a Educação dos filhos. Em seguida, procure mostrar como é notável o aparecimento de vários outros fenômenos associados á transformação do papel social da mulher. Procure exemplificar, mostrando números sobre o aumento de famílias em que a provedora é a mulher. Segundo dados do IBGE, o número de lares chefiados por elas aumenta incessantemente, pulando em dez anos de cerca de 20% para quase 30%.

    Saliente, ainda, o aumento do número de famílias com pais ausentes, assim como a formação de famílias com membros que já foram anteriormente casados. E fale também sobre a diminuição do número de filhos por mulher nos últimos anos: se, em 1981, a taxa de natalidade no Brasil era de 4,4 filhos por mulher, em 2001 esse número caiu para 2,4, bem próxima à taxa dos Estados Unidos - que era, na mesma data, de 2,1. Indague a turma sobre as consequências mais marcantes desses fatos, realçando que a média nacional de pessoas por família caiu para 3,1.

    O conjunto desses fatos contribuiu para a mulher conquistar maior paridade de poder tanto na estrutura familiar como nas atividades sociais. Em muitas sociedades, elas se consideram atualmente em condições de igualdade com os homens, ou seja, detentoras da liberdade, autoras de sua trajetória, donas do seu corpo e não se encontram mais subordinadas aos homens, como já o foram: inicialmente aos pais, enquanto solteiras, e ao esposo, depois de casadas.


    Durante séculos, em virtude do modelo patriarcal, as mulheres foram privadas de uma vida pública efetiva, permanecendo à margem da produção cultural e da vida política. Aponte como isso se modificou na atualidade, visto que elas conquistaram a inclusão nessas atividades. Pergunte se, apesar dessas conquistas, ainda permanecem muitas diferenças entre os gêneros. Forneça à moçada alguns índices para reforçar a reflexão, destacando que, embora se verifique uma tendência geral para a igualdade dos gêneros no mercado de trabalho, as mulheres ainda ganham 28,4% menos do que os homens. Em 2008, a renda média dos homens foi de 1.172 reais, enquanto a das mulheres foi de 839 reais. No mesmo ano, os homens detinham 56,4% dos empregos.

    Com base nos dados e nas análises efetuadas, questione se todas as mulheres tendem a voltar para os lares, abandonando as atividades públicas, como aponta a reportagem da Veja. Discuta se isso é uma tendência geral ou se é uma tendência apenas entre as mulheres pertencentes às camadas mais ricas da população. Para concluir, promova uma discussão a fim de verificar se isso também ocorre entre as camadas sociais menos favorecidas, destacando como as tendências gerais da sociedade podem ser contraditórias, variando conforme os grupos ou classes sociais. Para concluir, solicite aos alunos um relatório final sobre a questão examinada.
    Mestre em Sociologia pelo programa de Pós-Graduação em Sociologia da FCL-UNESP, de Araraquara. É doutoranda pela mesma instituição.