EM BUSCA DA IGUALDADE

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.”

(Karl Marx)

Uma sociedade democrática, justa e humanitária pressupõe o respeito a todas as pessoas e a garantia de direitos, independente de sexo, cor, idade, condições físicas, mentais e orientação sexual. Esta é uma disposição de nossa Lei maior, desde 1988. Cabe aos conselhos promoverem a discussão na sociedade, estimulando a transformação da mentalidade antiga para estes novos conceitos, visão de homens e mulheres, combatendo as desigualdades e valorizando a diversidade humana, em que todas as diferenças são fundamentais.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Depoimento de Discriminação MOV01212.MPG



Este vídeo traz um depoimento de uma mãe, falando da discriminação que sua filha sofreu na escola pelo professor e colegas de sala.
Pensar numa escola pública de qualidade é pensar na perspectiva de uma educação inclusiva. É questionar o cotidiano escolar, compreender e respeitar o jeito de ser negro, estudar a história do negro e assumir que a nossa sociedade é racista. Construir um currículo multicultural é respeitar as diferenças raciais, culturais ,étnicas, de gêneros e outros. Nessa proposta multicultural, a escola poderá elaborar um currículo que permita problematizar a realidade. Mesmo não sendo o único espaço de integração social, a escola poderá possibilitar a consciência da necessidade dessa integração, desde que todos tenham a oportunidade de acesso a ela e possibilidade de nela permanecer.A educação escolar ainda é um espaço privilegiado para crianças, jovens e adultos das camadas populares terem acesso ao conhecimento científico e artístico do saber sistematizado e elaborado, do qual a população pobre e negra é excluída por viver num meio social desfavorecido.
A escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também é o local mais discriminador. Tanto é assim que existem escolas para ricos e pobres, de boa e má qualidade, respectivamente. Por isso trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, por ele ser o mediador do conhecimento, ou melhor, um facilitador do processo ensino- aprendizagem. A escola em que ele foi formado e na qual trabalha é reprodutora do conhecimento da classe dominante, classe esta, que dita as regras e determina o que deve ser transmitido aos alunos. Mas, se o professor for detentor de um saber crítico, poderá questionar esses valores e saberá extrair desse conhecimento o que ele tem de valor universal.Penso que a escola é o lugar ideal para discutir as diferentes culturas, e suas contribuições na formação do nosso povo. Eles também ignoram que muitas vezes as dificuldades do aluno advêm do processo que está relacionado à sua cultura, tão desrespeitada ou até ignorada pelos professores muitas vezes.Acreditamos que seja possível ou queremos acreditar na construção de uma escola que reconheça que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura diversa e que repense o currículo, a partir da realidade existente dentro de uma lógica de igualdade e de direitos sociais. Assim, podemos deduzir que a exclusão escolar não está relacionada somente com o fator econômico, ou seja, por ser um aluno de origem pobre, mas também pela sua origem étnico-racial.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Políticas Afirmativas de Raça e Gênero e a busca da Igualdade de Oportunidades.

A discriminação gerada por sexo e por pertencimento  a um grupo de cor/raça encontra-se disseminada em diversos campos da vida social. No campo da educação  são reproduzidos muitos dos estereótipos de gênero existentes em nossa sociedade, no caso da questão racial, ainda se percebe desigualdades no acesso e na permanência dos indivíduos dos diferentes grupos populacionais. Esta é uma característica muito importante na medida em que o acesso à escolaridade é uma das formas de ascensão social.
Os negros e negras estão menos presentes nas escolas, e as taxas de analfabetismo bastante superiores, então as diferenças raciais, principalmente na educação são muito marcantes.Parece que as desigualdades se ampliam quanto maior o nível de  ensino. O acesso ao ensino médio ainda  é bastante restrito para a população negra também, que, por pertencer  a famílias cuja renda financeira é baixa, tende  a abandonar os estudos e ingressar no mercado de trabalho,por não terem outra opção senão essa.


São Tomás de Aquino previa que em uma sociedade democrática, todos os serem humanos são dignos e têm a mesma importância. Por isso, possuem direitos e deveres iguais não apenas em aspectos econômicos, mas também relativos à saúde, educação, trabalho, direito à justiça e manifestação cultural.
O agravamento das desigualdades e injustiças sociais e o crescente clamor dos pobres e das forças políticas e espirituais  levaram ao Estado do Bem-Estar Social, estabelecido juridicamente pela primeira vez com as constituições mexicana de 1917 e alemã, de Weimar, em 1919.Desse modo, os direitos econômicos, sociais e culturais dos cidadãos desses países juntaram-se às garantias individuais conquistadas nas revoluções liberais dos séculos XVII e XVIII. Com o tempo, os cidadãos reivindicaram e adquiriram também vários direitos em  diversas áreas.

Se queremos igualdade, precisamos saber diferenciar os desigualmente tratados, sem haver exclusão, mas fornecendo tratamento adequado e nas condições necessárias que cada cidadão tem direito dentro da sociedade,que é uma responsabilidade também do Estado.

Segundo Boaventura de Souza Santos(1995;74),referindo-se às condições sociais que,com as condições teóricas,possibilitaram a orientação do interesse sociológico para as dimensões processuais,institucionais e organizacionais do direito:

A primeira diz respeito às lutas sociais protagonizadas por grupos sociais até então em tradição histórica de ação coletiva de confrontação,os negros,os estudantes,amplos setores da pequena burguesia em luta por novos direitos sociais no domínio da segurança social,habitação,educação,transportes, meio ambiente e qualidade de vida,etc.,movimentos sociais que em conjugação (por vezes difícil) com o movimento operário procuraram aprofundar o conteúdo democrático dos regimes saídos do pós-guerra. Foi nesse contexto que as desigualdades  sociais foram sendo recodificadas no imaginário social e político e passaram a constituir uma ameaça à legitimidade dos regimes políticos assentes na igualdade dos direitos.A igualdade dos cidadãos perante a lei passou a ser confrontada com a desigualdade da lei perante os cidadãos,uma confrontação que em breve se transformou num vasto campo de análise sociológica e de inovação social centrado na questão do acesso diferencial ao direito e à justiça por parte das diferentes classes e estratos sociais.






Por isso, o princípio da equidade,exige uma  apreciação das condições sociais pertinentes.Não se trata pois de promover a desigualdade ,pois assim no exemplo citado,as mulheres trabalhadoras tem direito a aposentar-se mais cedo não por serem mulheres ,mas por estarem em condições sociais objetivas de dupla jornada de trabalho e dos encargos da maternidade.Por isso, se essas condições forem eliminadas,não mais se justificará a discriminação legal.


Desse modo, as políticas universalistas precisam estar combinadas com políticas voltadas para a justiça social reivindicada pelos movimentos sociais.
Dessa maneira as desigualdades de direitos baseadas nas diferenças de cor, gênero, idade, nacionalidade, riqueza e poder só acabarão quando "políticas universalistas e focalizadas, incluindo ações afirmativas" forem implementadas. 


Do exposto pude concluir que sistemas de desigualdades, exclusão,assim como racismo e sexismo precisam ser contextualizados historicamente. E esses sistemas estão longe de serem  fenômenos locais,representam processos globais e assim sendo requerem mecanismos de gestão dessas desigualdades também em níveis globais.
E diante de todas as medidas necessárias a serem tomadas ,procura-se sensibilizar,além dos gestores públicos,o meio empresarial e patronal sobre a necessidade de promover  a igualdade de gênero e raça em todos os setores da sociedade.

Diversidade e Igualdade

Ao longo de nossa história, na qual a colonização se fez presente, a escravidão e o autoritarismo  contribuíram para o sentimento de inferioridade do negro brasileiro. A ideologia da degenerescência do mestiço, o ideal de branqueamento e  o mito da democracia racial   foram os mecanismos de dominação ideológica  mais poderosos já produzidos no mundo, que permanecem ainda no imaginário social, o  que dificulta a ascensão social  do negro, pois este é visto como indolente e incapaz intelectualmente.  


Pensar numa escola pública de qualidade é pensar na perspectiva de uma educação inclusiva. É questionar o cotidiano escolar, compreender e respeitar o jeito de ser negro, estudar a história do negro e assumir que a nossa sociedade é racista. Construir um currículo multicultural é respeitar as diferenças raciais, culturais, étnicas, de gêneros e outros. Nessa proposta multicultural,  a escola poderá  elaborar um currículo que permita  problematizar a realidade. Mesmo não sendo o único espaço de integração social,  a escola poderá possibilitar a consciência da necessidade dessa integração, desde que todos tenham a oportunidade de acesso  a ela e possibilidade de nela permanecer. A educação escolar  ainda é um espaço privilegiado para crianças, jovens  e adultos das camadas populares terem acesso ao conhecimento científico e artístico do saber sistematizado e elaborado, do qual a população pobre  e negra  é excluída por viver num meio social desfavorecido.

A escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também é o local mais discriminador. Tanto é assim que existem escolas para ricos e pobres, de boa e má qualidade, respectivamente.  Por isso trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, por ele ser o mediador do conhecimento, ou melhor, um facilitador do processo ensino- aprendizagem. A escola em que ele foi formado e na qual trabalha é reprodutora do conhecimento da classe dominante, classe esta, que dita as regras e determina o que deve  ser transmitido aos alunos. Mas, se o professor for detentor de um saber crítico, poderá questionar esses valores e saberá extrair desse conhecimento o que ele tem de valor universal.Penso que  a escola é o lugar ideal para discutir  as diferentes culturas, e  suas contribuições  na formação do nosso povo.  Eles também ignoram que muitas vezes as dificuldades do aluno advêm do processo  que está relacionado à sua cultura, tão desrespeitada ou até ignorada pelos professores muitas vezes.Acreditamos que seja possível ou queremos acreditar na construção de uma escola que reconheça que os alunos são diferentes, que possuem uma cultura diversa e que repense o currículo, a partir da realidade existente dentro de uma lógica de igualdade e de direitos sociais. Assim,  podemos deduzir que a exclusão escolar  não está relacionada somente com o fator econômico, ou seja, por ser um aluno de  origem pobre, mas também pela sua origem étnico-racial.

A cerca da experiência vivida em meu trabalho cabe relatar aqui o preconceito presenciado quase que todos os dias dos meus alunos que são na maioria da escola particular em relação aos colegas da escola pública. Percebo claramente uma enorme exclusão com os estudantes que freqüentaram uma escola de idiomas quando crianças e não encontram dificuldade em se comunicar em outra língua visto que tiveram contato com a Língua Inglesa mais cedo. Como leciono em uma escola de idiomas percebo como é grande a desistência dos alunos da escola pública, principalmente por não conseguir acompanhar na maioria das vezes o ritmo dos alunos da escola privada, por não terem tido talvez as mesmas oportunidades de estudo. Desse modo os alunos sentem-se excluídos desse contexto. Por mais que haja preconceito do que foi exposto, o inglês está ao nosso redor e é a língua de muitas manifestações culturais, como, por exemplo, da música que os jovens ouvem.

Nesse sentido, o conceito de exclusão social é mais amplo, porque abrange o rompimento das relações sociais e comunitárias; o expurgo, absoluto ou relativo, da vida social, em seus vínculos básicos, mesmo que o excluído usufrua de renda que satisfaça as necessidades básicas. Idosos podem ser excluídos, por exemplo, apesar de sua família dispor de meios materiais, mesmo que humildes, para sustentá-los.

.A exclusão social abrange, assim, diversas situações socioeconômicas e culturais de indivíduos ou famílias, que induzem à violação de direitos de seus membros, em especial crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência; além da geração de outras situações, como, por exemplo, pessoas em situação de rua, migrantes, idosos abandonados, não somente por falta de renda, mas de outras variáveis de exclusão. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vencendo o Preconceito!!!



Alguns de nós ficamos verdadeiramente escandalizados diante das notícias do quanto ainda existem nas sociedades os preconceitos de cor, raça, classe social, condição econômica ou cultural. No entanto, sem que percebamos, podemos estar agindo preconceituosamente em nossas relações com Deus,
como próximo e até conosco mesmo.

Podemos começar refletindo um pouco sobre o que significa o preconceito. Como o termo diz, trata-se de um conceito antecipado a respeito de uma pessoa, coisa ou situação. O preconceito está intimamente ligado às informações que trazemos em nossa memória, de fatos vividos ou conhecidos.

Assim, ao nos encontrarmos em uma situação parecida, associamos àquela experiência anterior como se fosse a mesma. O preconceito também está muito ligado à aparência exterior da situação, coisa ou pessoa. Baseados no que parece, podemos julgar algo que não corresponde à verdade. Portanto, o preconceito pode ser em nossa vida um grande engano, uma grande ignorância fantasiada de “saber”. E pode aprisionar a nós e aos outros.
Nas relações interpessoais os preconceitos podem ser impedidos de grandes amizades e verdadeiras prisões que encerram as pessoas em rótulos, a partir de atos que cometeram no passado, ou que ainda estão cometendo, mas que nos impedem de vê-la em profundidade, para além do rótulo, ou perceber que são capazes de mudar. Desse modo, agimos nos arvorando de pretensos deuses, quando na realidade nem Deus é preconceituoso com nenhum de nós. Imagine se Deus, que desde o princípio tudo vê, que conhece o nosso pecado e as nossas fraquezas em profundidade, fosse preconceituoso conosco, já há muito teríamos perdido todas as chances de existir. No entanto Ele, que criou o mundo do nada, está sempre investindo em nós, esperando a nossa conversão até o último instante de nossa vida. Se fosse possível humanizar a imagem de Deus a este ponto, eu diria que Deus tem muito mais fé em nós do que nós nele. Sim, porque no fundo de nosso preconceito está a falta de fé em Deus,
que a tudo e a todos pode transformar.

A triste conseqüência de nossos preconceitos pessoais é o preconceito social, que tanto nos escandaliza. O preconceito individual pode ser propagado pelas nossas más palavras de tal forma que não seremos mais capazes de deter esta espécie de bomba que às vezes levianamente lançamos uns contra os outros. Tudo pode começar com um comentário, uma antipatia, uma rejeição confidenciada, e a nossa opinião tão mutável terá sido lançada como um rótulo no outro. E o outro, na sua fraqueza, poderá acabar assumindo este rótulo durante toda a vida enquanto sua verdadeira imagem estará para sempre escondida no coração de Deus. Então seus talentos e tudo o que Deus tinha para fazer através dele fica sepultado como uma semente que não desabrochou.

Ao contrário dos fariseus de sua época, sempre fechados no pequeno mundo dos seus conceitos, Jesus não classificava as pessoas, ninguém era indigno de se relacionar com Ele, por pior que fosse seu passado. Ele conseguia compreender e valorizar o ser humano independentemente de seus erros, da sua história. Isso não significava que compactuasse com o pecado, mas que acolhia o pecador, fosse qual fosse o seu pecado. Foi assim que agiu com a mulher samaritana, com Zaqueu, com Levi, com a pecadora pública e com todos os pecadores que encontrou. E foi justamente seu amor incondicional que gerou neles a transformação que os fariseus não puderam ver.

Assim como aconteceu aos algozes de Cristo, pode estar acontecendo conosco, que tantas vezes nos consideramos “bons cristãos”. O preconceito que nos impede de ir até os mais “mal afamados” para lhes dizer que Jesus os ama com atos, muitas vezes esconde a nossa inconsistência interior, porque no fundo sabemos que somos tão vulneráveis como eles, e é apenas um mistério da graça divina que nos impediu de agir como eles.
O preconceito é um veneno capaz de roer as relações entre famílias, comunidades religiosas, irmãos, amigos, conhecidos e desconhecidos, e tudo podem começar com um único olhar de julgamento de nossa própria parte.

Que o Senhor nos conceda a graça da purificação do nosso olhar, dos nossos raciocínios e, sobretudo da nossa memória, para que, escandalizados com as histórias de preconceitos que observamos nos jornais, não estejamos nós a
fazer o mesmo.

Shalom Maná

Conceitos

Gênero: Conceito formulado nos anos 1970 com profunda influência do pensamento feminista. Ele foi criado para distinguir a dimensão biológica da dimensão social, baseando-se no raciocínio de que há machos e fêmeas na espécie humana, no entanto, a maneira de ser homem e de ser mulher é realizada pela cultura. Assim, gênero significa que homens e mulheres são produtos da realidade social e não decorrência da anatomia de seus corpos.

Identidade de Gênero: Diz respeito a percepção subjetiva de ser masculino ou feminino, conforme os atributos, os comportamentos e os papeis convencionalmente estabelecidos para homens e mulheres.

Estereótipo: Consiste na generalização e atribuição de valor (na maioria das vezes negativa) a algumas características de um  grupo, reduzindo-o a essas características e definindo os “lugares de poder” a serem ocupados. É uma generalização de julgamentos subjetivos feitos em relação a um determinado grupo, impondo-lhes o lugar de inferior e o lugar de incapaz no caso dos estereótipos negativos.

Estigma: marca, rótulo atribuídos a pessoas e grupos,seja por pertencerem a determinada classe social por sua identidade de gênero,por sua cor/raça/etnia.O estigma é sempre uma forma de simplificação ,de desqualificação da pessoa e do grupo.Os estigmas decorrem de preconceitos e ao mesmo tempo os alimentam,cristalizando pensamentos e expectativas com relação a indivíduos e grupos.

Etnia: Refere-se  à classificação de um povo ou de uma população de acordo com sua organização social e cultural,caracterizadas por particulares modos de vida .

Desigualdade: quando falamos em desigualdade,estamos tratando de um fenômeno social que produz uma hierarquização entre indivíduos/ou grupos não permitindo um tratamento igualitário ( em termos de oportunidades,acesso a bens  e recursos etc.) a todos/as.

Bibliografia
Gênero e Diversidade na escola.
Formação de professores em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e relações Étnico-Raciais

Tema 2 - Igualdade de gênero, raça/etnia na educação formal - Família, hierarquias e a interface público/privado

 A prefeitura de Mucurici está construindo o Museu do Contestado, com o intuito de preservar a memória do conflito do Contestado,onde nesta época, foram definidas as fronteiras dos estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.
Além  valorizar a história, o  Museu do Contestado servirá também como ponto de recepção e informação dos turistas na cidade, bem como local de apoio e pesquisa para escolas e universidades da região em registros históricos e referências sobre o litígio.
O Planejamento dos trabalhos do Museu está sendo inteiramente voltados à integração da escola, comunidade e turistas através de exposição de acervo em audiovisual, exposições de artesanatos como o fuxico e do couro da tilápia dentre outras, manifestações culturais e trabalhos escolares.
A forma de cada ser humano enxergar o outro, depende de sua cultura. Assim,
esta política pública municipal, é fundamental para a promoção da igualdade de gênero e raça/etnia, pois  fornece meios de construção de um futuro mais justo, através do conhecimento do passado, vivenciado no presente.

  
  
Dentro do exemplo cotidiano:
 Questionamento:
 -Que políticas públicas educacionais devem ser desenvolvidas para a promoção da Igualdade de gênero, raça/etnia, que envolvam as famílias ?
 Sugestão:
 *Inserir na grade curricular infantil, conteúdo cultural e reflexivo:
-de onde eu vim?
-quem sou eu ?
-eu no contexto família, escola, cidade, estado, país e mundo.
-levantamento da cultura local e de outros povos (religião,costumes,culinária, forma de  pensar, forma de agir,música,etc)
-mostrar que as diferenças são positivas.
*Envolver as famílias na escola  durante construção deste trabalho.

Partindo do pressuposto que a família tem papel fundamental na formação psicológica de uma criança e que a escola tem a responsabilidade de fornecer uma educação formal, podemos dizer que:
 A valorização pessoal, que é o passo inicial para a construção de uma elevada auto estima de uma pessoa, nasce na medida em que esta conhece sua história e a do lugar em que vive, pois  tem a possibilidade de se contextualizar dentro dela.



TEMA – 2: IGUALDADE DE GÊNERO, RAÇA/ETNIA NA EDUCAÇÃO FORMAL Família, hierarquias e a interface publicam/privado


Casos de violência de gênero no município

Uma experiência vivenciada que envolveu a comunidade de Mucurici na busca pela defesa dos direitos humanos, foi a Campanha realizada na segunda semana de junho, que teve como objetivo o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Essa ação envolveu setores da sociedade civil e governamental através de panfletagem, visita nas escolas, palestra com jovens, dentre outras. Semanas após a Campanha, notamos o resultado positivo dessas ações, sendo que, foram encaminhadas ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS - vários casos de violação de direitos não somente de crianças como também de idosos e pessoas com deficiência. Os casos surgiram através de denuncias da sociedade por meio do telefone nacional de defesa dos direitos humanos, disque 100. A equipe do CREAS realizou o atendimento desses
casos e a adoção dos devidos encaminhamentos.


Segue abaixo o relatório elaborado pela equipe do CREAS que descreve como se desenvolveu a V Campanha de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Mucurici:

Relatório das ações da Campanha Municipal de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no município de Mucurici

O município de Mucurici está localizado no extremo noroeste, a 353 quilômetros de distância da capital do estado e tem uma população, segundo dados do IBGE de 2010, de 5672 pessoas. A área total do município é de 537,711 km² (comparativamente, o município de Serra possui uma área de 553,254 km²).  O município é dividido em dois distritos, Mucurici o centro,  Itabaiana e mais os povoados de Água Boa e Assentamento Córrego da Laje. Parte significativa da população reside na zona rural. A economia do município é baseada em pecuária com extensas pastagens, cultivo de cana, de eucalipto e agricultura de subsistência. Sua população tem origem em migrantes pobres de regiões da Bahia e de Minas Gerais que se fixaram na região nas décadas de 1950 e 1960 atraídos pelas terras, que na época encontravam-se cobertas pela mata atlântica, e hoje está extremamente reduzida. Esta devastação refletiu no clima da cidade, Mucurici tem o menor índice pluviométrico do Espírito Santo e já passou por períodos de seca.


Sendo assim, por essas características e pela avaliação das outras campanhas, a equipe responsável decidiu por fazer uma panfletagem visando atingir o maior número possível de pessoas que residem no município. Esta ação também tem como intenção aproximar os serviços públicos da população, fazendo-os conhecer que são as pessoas que trabalham nas áreas a que podem recorrer quando preciso, em outras palavras e de maneira coloquial, “dar um rosto” a uma instituição e serviço. Para a realização da referida ação, contamos com a presença dos integrantes dos coletivos do Projovem de Itabaiana e Mucurici, os conselheiros tutelares do município, estudantes do curso de Serviço Social e a equipe do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). A presença do Projovem tem como objetivo sensibilizar os jovens que participam deste projeto para que possam se indivíduos com uma visão crítica apurada sobre o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes e possam intervir de maneira positiva na sociedade que estão inseridos. Antes de saírem a campo, o Projovem teve uma palestra com a assistente social do Cras, Monica Reis da Cunha, sobre o tema da campanha e qual a forma e o que seria feito na abordagem das pessoas. Foi dito que seriam formados grupos de três ou quatro pessoas que ficariam responsáveis por conversar com os moradores das casas, transeuntes, trabalhadores do comércio local sobre a Campanha Municipal de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e também sobre o Disque Direitos Humanos, o Disque 100, que pode ser acionado nos casos de abandono de menores, negligência, abuso contra idosos, etc. e é mais uma ferramenta para a garantia de direitos. Foi pedido que ficassem atentos a possíveis denuncias e se ocorressem, falassem com o responsável pelo grupo. Estas informações foram passadas aos outros participantes da campanha.

A campanha no distrito de Mucurici aconteceu nos dias sete de junho e sete de julho e contou com seis grupos formados pelas pessoas já referidas. Os grupos foram divididos pelos bairros e conversavam com as pessoas pelas ruas, chamavam nas casas (sendo esta a principal ação e colavam adesivos em locais próprios para colar cartazes, nas casas (com autorização dos proprietários) e em telefones públicos. Nestes dias, os participantes da campanha foram às duas escolas do distrito. A campanha começou às 13 horas do dia sete de junho e continuaria até que todas as casas do distrito fossem visitadas, mas por razões adversas não foi possível e para não atrapalhar o cronograma estabelecido foi decidido terminar a campanha no mês seguinte.

No dia oito de junho foi feita a campanha em Água Boa. Devido às dimensões do povoado, foram apenas três grupos com parte da equipe do Cras e parte da equipe do Conselho Tutelar. Teve início às oito horas da manhã e foi estimado o seu fim ao meio-dia, mas se fosse necessário seria estendido das 13 horas até a finalização dos trabalhos, porém não foi necessário. Aqui, o diálogo na escola do povoado foi importantíssimo, pois a maior parte dos pais dos estudantes trabalham no campo e não seria possível chegar até eles, então as crianças seriam nosso elo com os adultos.

No dia 10 de julho a campanha foi levada para o Assentamento Córrego da laje e ocorreu de maneira semelhante à Água Boa, com a panfletagem nas ruas e casas e a campanha na escola. Apenas uma parte da equipe do Cras participou. Foram iniciados os trabalhos por volta das nove horas da manhã e pouco depois das 11 horas já havia sido concluído.

Nos dias nove e 15 de julho a campanha ocorreu no distrito de Itabaiana. No primeiro dia, nós começamos nossas ações às nove horas e as 11 foi decidido parar. Nesta primeira parte apenas a equipe do Cras participou com dois grupos de duas pessoas. A segunda parte teve início às 13 horas e 30 minutos e tivemos o acréscimo do grupo do Projovem e de sua orientadora social. A panfletagem ocorreu como as anteriores, entretanto uma das escolas não estava funcionando no período vespertino por isso apenas foi deixado o material da campanha. Na outra escola houve um diálogo. Como não foi possível concluir a ação no dia nove, nós tornamos a realizá-la no dia 15 do mesmo mês, durante a tarde, com a participação do Projovem, para terminá-la.

Com essas ações pretendemos diminuir, se possível acabar, com o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, aproximar os serviços públicos, Cras e Centro de Referência Especializado de Assistência Social da população que necessita deles e pôr em questão e discutir o que está sendo feito ou negligenciado em relação aos adolescentes e crianças do município.