EM BUSCA DA IGUALDADE

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.”

(Karl Marx)

Uma sociedade democrática, justa e humanitária pressupõe o respeito a todas as pessoas e a garantia de direitos, independente de sexo, cor, idade, condições físicas, mentais e orientação sexual. Esta é uma disposição de nossa Lei maior, desde 1988. Cabe aos conselhos promoverem a discussão na sociedade, estimulando a transformação da mentalidade antiga para estes novos conceitos, visão de homens e mulheres, combatendo as desigualdades e valorizando a diversidade humana, em que todas as diferenças são fundamentais.

domingo, 24 de julho de 2011

Edição 228 | Dezembro 2009

Diferenças: respeito versus preconceito

Escolas que recebem e educam os alunos, independentemente de origem, orientação sexual ou deficiência, ensinam a todos a viver

Luis Carlos de Menezes (novaescola@atleitor.com.br)
Foto: Marcos Rosa
"Aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso."Foto: Marcos Rosa
As demonstrações coletivas de intolerância, desrespeito e violência são sempre chocantes, ainda mais quando atingem os mais frágeis e ocorrem na escola. A discriminação existe em toda parte - nas relações religiosas, esportivas, sexuais, étnicas ou políticas - e dão origem a ódio, conflitos, crimes e guerras. Estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), citado na reportagem da página 76, mostra que também em instituições de ensino há práticas discriminatórias por cor, pobreza, gênero, orientação sexual e, até mesmo, por deficiência física ou intelectual.

Como as crianças não estudam porque são evangélicas ou católicas, orientais ou negras, deficientes físicas ou atletas - mas porque são gente -, a escola deveria ser um espaço de diversidade onde se aprende a conviver com as diferenças. No entanto, é comum pôr em dúvida a possibilidade de essa instituição enfrentar questões difíceis de tratar nos demais espaços sociais. Contudo, com base no que presencio em escolas, posso mostrar que isso, mais que desejável, é possível.

Um exemplo notável me chegou quando leitoras desta coluna - Paula, Daniela e Cristina - escreveram para contar sobre um trabalho com o filme Escritores da Liberdade, que elas conduziam numa unidade da rede pública de São Paulo. Ao visitá-la, fui apresentado à diretora, Cida, e ao Projeto Conviver, que mereceria também ser retratado numa obra cinematográfica. Alunos de 45 classes, seus mestres e a comunidade superaram graves conflitos e criaram um ambiente de compromisso e participação. Os exemplos eram vários: uma garota contou com candura os próprios preconceitos e como se livrou deles. Outra vivia as emoções de um pega-pega em cadeira de rodas empurrada pelo pátio. Um pai observava o filho com paralisia cerebral discutindo a injustiça na derrota do time da escola. Um grupo preparava a peça musical Kisomba para valorizar o convívio étnico-cultural. Soube depois de uma equipe de vôlei composta por afinidade na orientação sexual.

Em outra escola pública que visitei recentemente, o coordenador pedagógico, Daniel, me falou da integração de um jovem transexual que tinha sofrido discriminação em várias outras instituições. Para que fosse bem acolhido, foi decisiva a ação de um grupo de alunos experientes nesse tipo de problema. Por intermédio de Amélia, militante de causas sociais e educacionais, soube do trabalho do Projeto Purpurina, que tem apoiado outras vítimas de segregação.

Eu poderia trazer pelo menos um bom exemplo de superação, em contrapartida a cada grave incidente que vira notícia. Por isso, rejeito a ideia de que a barbárie se instalou na escola em definitivo e que enfrentá-la estaria fora de nosso alcance. Também não concordo com quem imagina que lidar com essas questões é perda de tempo ou traz prejuízo ao ensino regular. Quando se enfrenta a discriminação ou se dá o tratamento adequado a alunos com defasagem, síndromes e deficiências (como mostrado no especial Inclusão, de NOVA ESCOLA), o desempenho de todos melhora, sem contar o ganho maior que é o de conviverem solidariamente e em paz.

Entre as lições centrais, vale lembrar que aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso. Da mesma forma, quem percebe que cada um de nós tem o desafio de admitir e afirmar a própria singularidade diante do mundo não faz a crueldade de humilhar alguém por causa disso. A alegria que se sente em instituições em que se respeita e se aprecia a pluralidade, como as que conheci, constitui a melhor razão para aprendermos com elas.

O preconceito está em nós

Na sala de aula, assim como em qualquer outro ambiente, ocorrem situações de discriminação. É necessário reconhecê-las e discuti-las

Luis Carlos de Menezes (Luis Carlos de Menezes)
"A escola é um espaço privilegiado para aprender a resolver conflitos e conviver com a diferença." Foto: Emilia Brandão
"A escola é um espaço privilegiado para aprender a resolver conflitos e conviver com a diferença." Foto: Emilia Brandão
A escola não é uma ilha, e entre alunos e professores estão presentes as mesmas relações de uma sociedade que estimula o individualismo e vê a solidariedade como se fosse um favor e a tolerância como covardia. A nós, educadores, usualmente defensivos, cabe uma posição mais consciente e deliberada contra essa cultura de agressividade, começando por identificar e combater atitudes que comprometem o convívio escolar e envenenam a vida social.

O preconceito não é só coisa de grupos sectários, como skinheads, pois surge, às vezes, da tola pretensão de valorizar a si mesmo ao depreciar diferentes escolhas religiosas, estéticas, desportivas ou musicais. Ele pode se manifestar, às vezes, disfarçado de humor, como na humilhação - ou bullying - de um estudante por seu sotaque regional ou pela forma como se veste. Uma escola que admite posturas como essas, por não reconhecer seu potencial destrutivo, abre caminho para discriminações de etnia, idade, origem, gênero e classe.

Muitas formas de intolerância resultam de visões e superstições presentes nas relações familiares e afetivas e de valores disseminados na sociedade. Em oposição a isso, a escola deve estimular crianças e jovens a identificá-las em piadas, notícias, torcidas esportivas, filmes de ação e novelas e discutir suas origens sociais e históricas. A atividade é adequada a diferentes disciplinas.

As práticas de segregação por condições de vida, preferências ou deficiências também podem ser identificadas e debatidas por meio da dramatização de reações possíveis de jovens e de educadores diante da imagem de um trabalhador urbano saindo imundo de um bueiro ou do sorriso bondoso de uma criança com síndrome de Down. Ao mostrar como os preconceitos são usualmente reforçados por constrangimentos ou revelados pela intolerância, em situações que demandariam compreensão e solidariedade, questionam-se atitudes de professores na sala de aula, por exemplo, ao tratar com alunos que têm diferentes ritmos de aprendizagem.

É difícil não discriminar, pois, ao generalizar experiências pessoais, já prejulgamos. Mais complicado ainda é reconhecer como desfiguramos traços de caráter e sentimentos pessoais ao descrever quem estranhamos. Ao nos referirmos a jovens da escola privada como patricinhas e aos da escola pública como pivetes, por exemplo, estamos revelando nossa própria grosseria e insensibilidade pelo simples uso desses termos - e é bom ter consciência disso.

Os julgamentos preconceituosos, no entanto, nem sempre são definitivos, assim como as afirmações científicas. O que parecia bem compreendido há alguns anos, como a constituição e a expansão do Universo, hoje apresenta vários pontos obscuros. Por isso, valorizar a variedade de culturas, o questionamento dos saberes e a necessidade do contraditório é o que devemos fazer sem propagar outro mito, o da neutralidade absoluta. A escola é um espaço de diversidade privilegiado para aprender a resolver conflitos e saborear a graça do convívio com a diferença. É assim que ela combate os preconceitos.

Julho 2009 | Título original: Um trio afinado

Família, criança e escola: um trio afinado

A família, que mais conhece a história da criança, é essencial na relação com a escola e o atendimento especializado

A escola surge na vida da criança como um dos principais ambientes extrafamiliares. Lá ela inicia a socialização, compartilha conhecimentos e amplia seu universo. Essa ampliação deve funcionar como continuidade do processo iniciado em casa, onde há muito tempo ela constrói sua história. O ser humano é um todo, não se fragmenta nos espaços aos quais pertence. Em cada um deles, é um ser por inteiro. Se na família se inicia a trajetória pessoal, na escola muitos capítulos serão escritos. 

Além dessas duas instâncias, outra faz parte da vida da criança com necessidades especiais: os diversos profissionais e os serviços com os quais tem contato, como o atendimento educacional especializado. Ela é o ponto de convergência de todos esses atendimentos, que devem ser integrados. 

A necessidade de consistência e de articulação entre os diversos contextos coloca os pais e outros responsáveis na estratégica posição de articuladores e mediadores. São eles que podem fazer fluir a comunicação para integrar os envolvidos no trabalho que visa ao bem-estar e ao desenvolvimento dos pequenos. Essa mediação possibilita também que a família se beneficie das ofertas de aprendizagem, adaptações e flexibilizações, valendo-se delas para dar continuidade a essas práticas no cotidiano dos filhos em casa. 

A Educação como meio de aperfeiçoar as aptidões físicas, intelectuais e morais acontece tanto no convívio familiar como em sala de aula. A construção de mundo e a compreensão do universo escolar e do sentido da aprendizagem serão facilitadas se houver consistência entre o que o estudante vivencia no ambiente de ensino e nos demais a que pertence. 

Como depositária da história do filho, a família revela características, hábitos, modalidades de relacionamento e estilos de comunicação que podem funcionar como um ponto de partida para a construção da ligação afetiva entre a criança e o professor. 

Estudar na rede de ensino regular possibilita ao aluno com necessidades educacionais especiais acesso aos elementos necessários para construir uma representação de mundo que lhe permita transformar-se num adulto autônomo e participativo. Tanto na família 
como na escola, ele pode experimentar o pertencimento e a diferenciação. Pertencimento, por conviver com um grupo e se perceber semelhante. Diferenciação, por ser único, não por sua deficiência, mas por sua singularidade. 

As crianças com deficiência não se reduzem a um diagnóstico. As que têm síndrome de Down não são iguais nem parecidas. Também aquelas com autismo são diferentes entre si - e isso vale para qualquer outro transtorno ou síndrome. Os pais sabem disso. As informações científicas são pertinentes para ampliar a compreensão da criança, não para rotulá-la. 

A busca do professor por informações sobre transtornos e síndromes é, sem dúvida, importante. Mas, para compreender o estudante em si mesmo, é preciso recorrer à família. Só ela pode revelar com clareza a criança em sua subjetividade e particularidade. Por isso, a relação com ela deve ser valorizada.



Um Breve Estudo sobre "AFRICANIDADES BRASILEIRAS"

Vamos fazer um breve estudo pela história da educação no Brasil, pouco mudou desde o início até os dias de hoje o que ocorreu foi uma sucessão de avanços e tropeços.

1454-A Igreja Católica Apostólica Romana, através da Bula Papal de Nicolau V, dá a Portugal o direito de exclusividade no aprisionamento de negros;
1494-Tratado de Tordesilhas - Acordo entre D.João II e o Rei da Espanha; O Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de Junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugale o recém-formado Reino da Espanha[1] para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel.
1500-Portugal toma posse das terras brasileiras; 
Entre 1500 e 1850 foram trazidos para o Brasil 4.000.000 de negros escravizados;
1871-Lei do Ventre-Livre;
1885-Lei Saraiva-Cotegipe-Lei do Sexagenário;
1888
-Abolição da Escravatura;
1890-Rui Barbosa determina a queima de todos os documentos relativos á escravidão. Abre-se o território brasileiro aos imigrantes europeu;
1951-Lei Afonso proíbe a Discriminação Racial no Brasil;
1988-Constituição Federal considera os crimes de racismo inafiançáveis e imprescritíveis;
2003-Lei 10639/03-Determina como Obrigatório o Ensino sobre a História e Cultura Afro- Brasileira nas escolas públicas e privadas.
Construir uma nação livre e soberana e solidária onde o exercício da cidadania não se constitua privilégio de poucos, mas direito de todos.
As pessoas não herdam geneticamente, idéias de racismo, sentimento de preconceito e modos de exercitar a discriminação, mas desenvolve-os com seus pares.
Com a Lei 10.639/03 a escola é chamada a participar ativamente de mudanças necessárias á sociedade brasileira.
Cabe á escola criar situações que estimulem a auto-estima, a auto-imagem positiva e que diminuam os altos índices de marginalização social aos qual a comunidade negra está submetida.