EM BUSCA DA IGUALDADE

“Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.”

(Karl Marx)

Uma sociedade democrática, justa e humanitária pressupõe o respeito a todas as pessoas e a garantia de direitos, independente de sexo, cor, idade, condições físicas, mentais e orientação sexual. Esta é uma disposição de nossa Lei maior, desde 1988. Cabe aos conselhos promoverem a discussão na sociedade, estimulando a transformação da mentalidade antiga para estes novos conceitos, visão de homens e mulheres, combatendo as desigualdades e valorizando a diversidade humana, em que todas as diferenças são fundamentais.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Reportagem Revista Veja: Analise as razões de quem troca de sexo em busca da felicidade


Analise as razões de quem troca de sexo em busca da felicidade



A reportagem
 "Mudança Precoce" aborda um tema que certamente já fez parte da vivência de seus alunos: a chegada da puberdade, com as transformações e as práticas sexuais associadas a ela. Na maioria dos casos, os rapazes sentem interesse pelas moças e vice-versa. Também ocorre a atração entre indivíduos do mesmo sexo. Mas algumas pessoas têm sérias dificuldades nessa área. Mais que buscar um parceiro, elas rejeitam seu próprio corpo e acabam por se submeter a operações cirúrgicas para harmonizar seu sexo biológico com o psicológico. São os chamados transexuais. Um dos mais conhecidos no país é a bela Roberta Close, que até hoje assina Luiz Roberto Gambini Moreira. O mais novo é provavelmente Johanna, que inspirou o texto de VEJA: um garoto alemão de 14 anos que recebe hormônios femininos, receitados por psiquiatras e endocrinologistas, "para ficar mais parecido com uma garota". 

Afinal, onde reside a sexualidade, nos órgãos genitais ou no psiquismo? O que levou Johanna a se apresentar como uma menina em outro corpo, com tamanha convicção que convenceu a comunidade científica? Coloque essas questões em debate na sala de aula, com base no texto de VEJA. Para a aula, Providencie um mapa da anatomia interna masculina e feminina.
 

Chame a atenção dos estudantes para os papéis dos hormônios citados na reportagem: estrógeno e testosterona. Nesta lição, é importante destacar os caracteres sexuais secundários. Lembre que o primeiro, produzido nos ovários, determina os traços sexuais secundários femininos (formação dos seios, distribuição de gordura pelo corpo e voz fina); o segundo, produzido nos testículos, responde pelas características sexuais secundárias masculinas (aumento de massa muscular, distribuição de pêlos e voz grossa).
 

Apresente o mapa com o esquema interno dos órgãos masculinos e femininos. Ele fornece subsídios para discutir um dos temas centrais do texto: a transgenitalização. Quais devem ser os maiores problemas para a transformação anatômica? Comente a necessidade de modificar a posição da uretra (no homem ela sai "para a frente" e na mulher, "para baixo").
 

Coloque em discussão a questão do prazer. O tema deve ser examinado com cuidado, descartando preconceitos e piadinhas. Recorde que a glande do pênis é uma região ricamente enervada, sensível portanto. O transexual deixa de sentir prazer após a cirurgia? Por isso travestis conhecidos, como Rogéria (ou Astolfo Barroso Pinto), dizem que não pretendem retirar o órgão? Conte que, se houver bom domínio da técnica cirúrgica, é possível levar a enervação até a futura "vagina". Esta, entretanto, jamais terá função reprodutora.
 

Pergunte se, após a operação, o fornecimento do estrógeno pode ser suspenso. Leve os jovens a perceberem que o transexual não possui ovário e, por isso mesmo, não produz o hormônio. Em outras palavras, Johanna deverá tomá-lo pelo resto da vida. Nesse instante, levante outro tema importante suscitado pela revista: a determinação do sexo. Pergunte como isso ocorre. É provável que os alunos respondam "pelo X e Y", mesmo que não saibam exatamente do que se trata. Eles estão se referindo, claro, aos cromossomos sexuais. Diga que nossa espécie tem 23 pares de cromossomos, 22 chamados autossômicos e um chamado sexual, sendo esse par XX na mulher e XY no homem. A presença do Y está relacionada à produção de testosterona ainda na fase embrionária, o que induz a formação das gônadas masculinas. Na ausência do cromossomo Y, os mesmos órgãos embrionários tornam-se gônadas femininas.
 

E se, por algum motivo, esse hormônio não for adequadamente produzido na fase correta? O que ocorreria com um feto 22XY? E se a testosterona for produzida num feto 22XX? Conte que esses são os casos de pseudo-hermafroditismo. A genitália externa é um tanto ambígua, mas as gônadas não são funcionais. Em geral, a criança é criada como menino ou menina, segundo a aparência da genitália externa, que deve ser "corrigida" cirurgicamente na adolescência. Entramos novamente num campo controverso. É assim que se resolve a questão? Existem diferentes formas de definir sexo: sexo cromossômico, sexo hormonal, sexo genital externo e até mesmo sexo protéico. E o sexo "psicológico"? A escolha e a identificação pessoal não são levadas em conta?
 

 
Informe que todo ano, em muitas cidades, realizam-se "Paradas Gays". O nome oficial do evento, em São Paulo e outras localidades brasileiras, é Parada do Orgulho GLBT - sigla de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneres. É nessa última categoria que estão os transexuais. Sugira a montagem de um painel sobre a mais recente parada gay de sua cidade ou de núcleos vizinhos.
 

A mobilização de gays e lésbicas contra a discriminação sexual vem garantindo a eles uma aceitação social crescente, apesar da sobrevivência de preconceitos disfarçados. Como eram vistas, no passado, as minorias sexuais? Eram respeitadas ou segregadas? Proponha pesquisas sobre o tema. Vale a pena abordar a situação dos eunucos, indivíduos que tiveram os testículos removidos e que se encarregavam da guarda dos haréns. Muitos deles ocuparam posições de prestígio nos impérios Chinês e Otomano (turco). Oriente também estudos sobre a presença dos
 castrati na música européia do século XVIII. Esses meninos eram submetidos à remoção dos testículos antes que a chegada da puberdade prejudicasse a pureza de suas vozes. Peça que a turma procure explicar esse fenômeno. Conte que o mais famoso dos castrati foi o napolitano Carlo Broschi, conhecido como Farinelli. Ele conquistou sucesso por toda a Europa e sobretudo na Espanha, onde permaneceu quase 25 anos, chegando a ser tão influente quanto um primeiro-ministro.

Consultoria Marcos Engelstein

Professor do Ensino Fundamental do Colégio Santa Cruz e assessor de Ciências do
Colégio Anglo-Brasileiro, ambos de São Paulo





Mesmo com as mulheres já sendo aceitas, com restrições, nas pistas, campos e estádios, a partir do século XIX, algumas precisavam enfrentar a família para praticar esportes. Acreditava-se que o esforço excessivo do corpo feminino era uma violação do físico e da estética. Não era difícil encontrar quem atribuísse à atividade esportiva a incapacidade de gerar filhos. Pior: poderia haver um tipo de masculinização. As competições entre mulheres eram consideradas perniciosas, até mesmo uma tentação. Pensava-se que elas favoreciam o exibicionismo, já que as atletas não poderiam competir com o corpo todo coberto. Por isso, a primeira modalidade adotada por elas foi a natação, já que o corpo ficava totalmente imerso na água. Peça uma pesquisa em grupo sobre o contexto histórico e social em que estas atletas conseguiram romper os tabus e se destacar.

 






Revista Veja: Homem com H



Em entrevista a VEJA, o psicanalista Contardo Calligaris reflete sobre as alterações sofridas nas masculinidades e como elas têm impactado os homens sentimentalmente. Nas aulas que seguem, questione com a turma essas mudanças de um ponto de vista social, explicando que os questionamentos das feministas e a dinâmica da sociedade moderna implicam novas expectativas sobre homens e mulheres. Mostre, dessa forma, que masculinidades e feminilidades existem sempre em relação umas com as outras, e que uma marca do nosso momento contemporâneo é a pluralização de possibilidades, tanto para homens quanto para mulheres. 

Entendendo relações de gênero 

Nessa aula, explore com os alunos a questão das relações de gênero na sociedade. Discuta com eles que aquilo que diferentes sociedades consideram como "masculino" ou "feminino" não é universal, mas varia de acordo com o contexto. Mesmo dentro de uma mesma cultura, como a brasileira, expectativas quanto ao ser homem ou ser mulher podem variar bastante. Explique, por exemplo, que há algumas décadas, mulheres não podiam votar, trabalhar sem autorização do marido ou mesmo se divorciar, coisas bastante corriqueiras hoje em dia.

Explique que as ideias que possuímos sobre homens e mulheres são, dessa forma, construídas pela sociedade e pela cultura e que podem variar. Comente também que, apesar de haver uma dualidade biológica que é pensada como base para a definição do gênero, essas características não conseguem explicar toda a gama de comportamentos exibidos por pessoas de ambos os sexos ao redor do mundo, além de não prever as mudanças sofridas por tais culturas. O movimento feminista, por exemplo, criticou o papel que as mulheres tinham na sociedade, como menciona Calligaris na entrevista. Comente com a turma que, desde os anos 1960, em diversos países do mundo, mulheres uniram-se para protestar contra o que consideravam a dominação do homem, o machismo e a subordinação social feminina. No Brasil, criticava-se (e, ainda hoje, luta-se contra) a violência contra a mulher e a pouca inserção feminina na vida pública. É exatamente essa uma das razões pelas quais o homem encontra-se nessa "crise" citada por Calligaris e por muitos outros intelectuais no Brasil e no mundo. 

Explique que uma das consequências do feminismo e da mudança nos papéis femininos foi o questionamento da naturalidade dos papéis masculinos. Ou seja: quando as mulheres passam a exigir a possibilidade de trabalhar, de ser chefe de família, atuar nos esportes e nas Forças Armadas, entre outras esferas tidas como tipicamente masculinas, isso causa um questionamento do próprio sentido do "ser homem". Debata com a moçada: existe alguma coisa que seja exclusivamente do homem, que o defina de uma vez por todas? 

Sinal dos tempos: ícone de masculinidade,o "homem de Marlboro" não resistiu às mudanças sociais do final do século XX. A população trocou o campo pela cidade, a propaganda de cigarros foi proibida e os próprios fumantes passaram a ser segregados.
Discutindo masculinidades 
Agora converse com os jovens mais especificamente sobre o tema das masculinidades contemporâneas. Como sugere Calligaris, existem variadas pressões sociais sobre os homens que acabam se tornando prejudiciais à sua saúde. Diversos pesquisadores, por exemplo, tentam explicar a menor expectativa de vida masculina em comparação com a feminina. Uma das razões apontadas é a maior exposição do homem a comportamentos de risco, como discute o psicanalista na entrevista. As aventuras, as brigas, os esportes radicais e mesmo o mundo do crime acabam por causar mais mortes em homens do que em mulheres, que não são criadas para comportar-se dessa forma.
A expectativa social, portanto, de confirmar a virilidade o tempo todo acaba virando um peso não somente emocional, mas social e cultural. Ou seja, para confirmar sua condição de "macho", muitos acabam por arriscar-se além do que seria necessário ou desejável. Explique que, no entanto, tais comportamentos são definidos cultural e socialmente: homens que não se enquadram em tais definições acabam sofrendo represálias como exclusão, preconceito ou até mesmo violência física.
 Após as críticas do feminismo e com a crescente urbanização da população, no entanto, abrem-se novas possibilidades. A ideia de ser homem ou ser mulher, hoje, não comporta uma definição única, mas possibilita uma diversidade de comportamentos. O macho atual pode ser tanto um fanático por futebol quanto um operador da bolsa de valores ou um publicitário. Pode ser mauricinho, largado, esportista ou preocupado com a última moda. A possibilidade de ser vaidoso e cuidar da aparência são uma conquista recente para muitos homens. Vale lembrar que, há muito pouco tempo, a vaidade masculina era tida como sinal de pouca virilidade. 
Essa falta de uma definição única, no entanto, pode ser vista como algo positivo. Nas grandes cidades brasileiras, e ao redor do mundo, homens conseguem encontrar nichos de socialização e podem vivenciar suas masculinidades de formas diversificadas. O uso do termo "masculinidades" no plural é usado por muitos pesquisadores exatamente para marcar esse novo momento contemporâneo, no qual não existe uma definição única e fechada do que seja o masculino. Longe de ser fonte de ansiedade ou apreensão, como se o homem estivesse de alguma maneira perdido, podemos pensar esse contexto como sendo de grandes possibilidades, para que diferentes seres humanos do gênero masculino consigam exercer sua virilidade das formas mais distintas. Até porque uma nova definição única de masculinidade pode nunca voltar; e isso não é nada ruim.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
"Tenham piedade dos homens!" Masculinidades em Mudança, Marko Monteiro, Editora FEME, 2000, esgotado
A Construção Social da Masculinidade, Pedro Paulo de Oliveira, Ed. UFMG, 2004.
Violência e Estilos de Masculinidade, Fátima Regina Cechetto, Ed. FGV, 2004.

HOPE Ensina - Estourei o cartão




O corpo de fêmeas, por exemplo, é diretamente associado à delicadeza e feminilidade. Isso fica claro quando vemos mulheres "viris", ou que se recusam a seguir os padrões sociais mais comuns: há uma repulsa imediata de muitas pessoas a tais personagens "desviadas". Segundo mostram cientistas sociais e feministas, há um trabalho social intenso que ocorre desde a infância, associando meninos a esportes, aventura, lutas e competição, e meninas a coisas do lar e objetos e atividades delicadas. Não há, portanto, nada de natural nessa forma de ser "feminino". A questão é cultural, até porque em outros tempos e/ou lugares, as ideias de feminino e masculino variam bastante. 

A feminilidade, na cultura brasileira, é associada ao âmbito doméstico (cuidar da casa e dos filhos), à fragilidade e à vaidade. Dessa forma, mulheres são, em geral, pensadas como boas professoras (pois saberiam cuidar melhor de crianças), mas péssimas executivas (pois não seriam tão competitivas) ou policiais (por conta de uma suposta fragilidade física). Ainda hoje é motivo de espanto ver mulheres executando tarefas tradicionalmente masculinas, como lutar no exército ou dirigir táxis e ônibus.
 

O dilema da mulher executiva é, portanto, o de parecer profissional sem transformar-se em homem, o que seria altamente indesejável na nossa cultura. Enquanto homens não precisam fazer tanto esforço para parecer sérios no mundo do trabalho, mulheres precisam lidar com a ambiguidade de estar numa atividade pensada como tradicionalmente masculina, tendo de aparentar feminilidade. Roupas são apenas parte dessa equação: toda a aparência, a maquiagem e mesmo os gestos estão carregados de sentidos culturais. O saber portar-se no emprego torna-se, assim, uma tarefa das mais complexas.
 

Os avanços, no entanto, são facilmente perceptíveis, especialmente com a efetiva maior presença feminina nas empresas. A própria existência desse dilema sobre "o que vestir" demonstra a força das mulheres, que cada vez mais exploram seu lado profissional, buscam consolidar carreiras e ascendem a cargos de grande responsabilidade. Por outro lado, a questão expõe a fragilidade dessas conquistas. As mulheres ainda precisam provar o todo tempo que estão aptas ao mundo do trabalho. Mudanças culturais levam tempo para se firmar.
 



A conquista da mulher por um lugar de igualdade na sociedade está apenas começando. O convencionalismo ainda fala mais alto. Mas são conquistas importantes. Quando percebemos que as novas gerações de mulheres brasileiras estudam mais do que os homens ainda não significa que a mulher tenha melhor remuneração, claro que isso conta para uma maior autonomia, entretanto a desigualdade se conserva e necessita de políticas de promoção pela igualdade. 


A crescente mobilização de distintos âmbitos sociais em favor do reconhecimento da legalidade e suas diferenças tem correspondido a uma percepção cada vez mais perspicaz do papel estratégico da educação para a diversidade. Ela é vista como fator fundamental para garantir inclusão, promover igualdade de oportunidades e enfrentar toda fatalidade de preconceito, discriminação e violência, especialmente no que se refere a questões de gênero e sexualidade. É preciso mais que educar para as diversidades, é necessário praticar as diferenças. Podemos até não sermos adeptos (as) a movimentos sociais de diversidades sexuais, mas é nosso dever respeitar as determinadas diferenças.
Infelizmente vivemos numa sociedade ainda “machista”, onde a mulher tem que lutar muito para ser respeitada e tratada com dignidade. A violência doméstica física e verbal é fato, e muitas mulheres não têm coragem de denunciar tais agressões. Suportar violência e não denunciar é algo real entre mulheres que sofrem algum tipo de brutalidade. Elas se ocultam e se recolhem em seu mundo, agindo com toda simplicidade em seu dia a dia e vivem abafadas pelo temor daqueles que a fizeram sofrer atos violentos.  O que acontece é que muitas mulheres antes de pensar em denunciar, pensa em tudo e em todos que estão a sua volta , esquecendo que a pessoa mais atingida é ela mesma. E muitas pelo fato de serem dependente financeiramente do marido, sofre com medo de como será o depois?  O que minha família irá dizer? Como os meus filhos vão reagir? Etc. e assim vão levando vivendo e apanhado, quando não chegam ao óbito.  Mulher tem que estar atenta aos seus direitos, e faço o possível para compartilhar o que sei às minhas companheiras e sempre reafirmo que mulher bem informada não deve se acovardar. Denunciar é a nossa melhor proteção. 



Conheça "Doce Terra Morena"

Violência contra a Mulher


Matéria na Revista Veja sobre a discriminação da mulher


Para onde foi o feminismo?


Um problema que se pensava superado após os anos 1970, auge das revoltas feministas pelo mundo, persegue mulheres até hoje: como participar do mundo corporativo e ser profissional sem deixar de ser mulher? Mais do que um problema de aparência e moda, essa questão remete às hierarquias de gênero que regulam as relações sociais. A dificuldade de algumas mulheres em ser levada a sério por gerentes e clientes e em reuniões de trabalho vai muito além da roupa que ela decide usar. Interprete com a turma os sentidos que as roupas transmitem e as diferenças sociais nelas representadas, partindo do exemplo da reportagem de VEJA que discute o guarda-roupa profissional feminino. 


1ª aula - Comente com os alunos os temas levantados por VEJA. Discuta com eles as diferenças de vestuário entre homens e mulheres no dia a dia. Algumas são óbvias, como o uso de vestidos e saias por mulheres e sua virtual proibição por parte dos homens. Pergunte para os meninos da turma se eles usariam saia (não vale dizer em festa à fantasia ou no carnaval). Provavelmente haverá um sonoro "não" de quase todos eles! Pergunte depois por que eles não fariam isso. Algumas respostas possíveis são um simples "por que eu sou homem". Tente investigar se eles compreendem os sentidos associados a esse tipo de vestimenta. Com base nas das respostas, comece a debater a dualidade de gênero que marca nossa sociedade. 

Gênero é um conceito acadêmico que busca explicar a divisão dos seres humanos em homens e mulheres. Tal divisão, ainda que aparente ser totalmente natural (vide a dualidade genital que percebemos nas pessoas), é, na verdade, uma construção social. Explique para a moçada que pequenos detalhes cotidianos, como a proibição de saias para homens na nossa cultura, tornam explícito o esforço social que é feito para demarcar essa separação, que não tem nada de óbvia nem sequer é necessária. Explique que diferentes culturas dividem as pessoas de formas distintas, e que homens e mulheres em outras partes do mundo atribuem sentidos diversos ao seu gênero. Comente também o problema de pessoas hermafroditas: nasceram com os dois genitais; são homens ou mulheres? Essa questão aparece, vez ou outra, em esportes de alta performance (veja o quadro abaixo).
Para seus alunos Será que ela é?
Suspeitas sobre a sexualidade de atletas não são raras no mundo do esporte de alto rendimento. Ao contrário, ao longo dos anos, muitos casos foram registrados, envolvendo inclusive uma judoca brasileira. Em 1996, Edinanci Silva, que nasceu hermafrodita, precisou passar por um teste de feminilidade para poder disputar as Olimpíadas de Atlanta, nos Estados Unidos. O Comitê Olímpico Internacional autorizou a participação de Edinanci nos Jogos, mas o episódio marcou para sempre a carreira da paraibana.


Além dela, várias outras atletas passaram por situações semelhantes: 

Caster Semenya 
A corredora sul-africana, de 18 anos, está ameaçada de perder a medalha de ouro conquistada nos 800 metros do Mundial de Atletismo, neste mês de agosto, em Berlim. Caso não passe por um teste de gênero sexual (ou caso o teste não confirme que ela é uma mulher), ela pode ter de devolver a medalha. 

Stella Walsh 
Vencedora dos 100 metros rasos na Olimpíada de 1932 e medalha de prata em 1936, a polonesa chamava a atenção por seu biótipo. Entretanto, nunca aceitou fazer testes para a comprovação de sexo. Em 1980, após sua morte, a necropsia descobriu que o órgão genital de Walsh tinha características ambíguas. 

Shanti Soundarajan 
Em 2006, a indiana perdeu a medalha de prata nos 800 metros rasos após fracassar em um teste de feminilidade. A avaliação foi conduzida pela Associação Olímpica da Índia, depois dos Jogos Asiáticos, no Qatar. 

Erika Coimbra 
Em 1997, a jogadora brasileira de vôlei acabou cortada do Mundial Juvenil. Devido à má formação do aparelho reprodutivo, os exames da atleta, então com 17 anos, apontaram excesso de testosterona (hormônio masculino). Depois de um ano em tratamento, Erika conseguiu voltar a competir. 

Heidi Krieger 
Atleta da Alemanha Oriental nos anos 1980, Heidi adquiriu características masculinas após usar esteroides por um longo período e em grandes quantidades. Depois de abandonar as competições de lançamento de peso, passou por cirurgia de troca de sexo e mudou de nome para Andreas.
Discuta a questão da feminilidade. Quais os sentidos associados a esse termo? Como identificamos uma mulher feminina, ou um homem feminino? Lembre à turma que a feminilidade, na nossa cultura, é sempre associada às mulheres, sendo rechaçada quando é característica de algum homem. Por que, afinal, seria pouco profissional uma roupa demasiadamente feminina, como discute a reportagem? A feminilidade, então, impossibilita o trabalho? Revela alguma fragilidade? 

Tais questões já foram extensamente discutidas desde que as primeiras feministas, na virada do século XIX para o XX, lutaram para garantir às mulheres o direito ao voto. Ainda hoje, as mulheres no Brasil e no mundo lutam para conseguir direitos e oportunidades iguais na sociedade. Explique para a turma que pessoas do sexo feminino, segundo dados oficiais, ainda recebem menos do que homens para exercer a mesma função. Ora, se exercem a mesma atividade, qual o motivo do menor salário, senão uma questão de preconceito social?
 

2ª aula - Comente com a turma que, com base nas teorias sobre gênero, cientistas sociais mostram que associamos determinados corpos (machos ou fêmeas) a diferentes comportamentos e sentidos culturais. Homens e mulheres são, por isso, pensados como intrinsecamente diferentes em termos de suas características, desejos, capacidades e habilidades. Ainda que, na vida real, tais diferenças sejam bem menos marcadas. Afinal, homens e mulheres exercem todo tipo de atividade e, desde o surgimento do feminismo, cada vez mais mulheres participam ativamente da esfera pública, antes restrita aos homens. Hoje, mulheres participam da política com grande destaque (elas ocupam a presidência no Chile, na Argentina, na Índia, na Finlândia e na Irlanda, por exemplo) e lideram poderosos conglomerados. Ainda assim, ideias sobre feminilidade não mudaram tanto quanto poderíamos imaginar, como VEJA mostra. 


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Reportagem: A luta dos pais para salvar o filho.

Um fotógrafo que fez a cobertura de uma intervenção cirúrgica para espinha bífida, realizada dentro do útero materno num feto de apenas 21 semanas de gestação, numa autêntica proeza médica, nunca imaginou que a sua máquina fotográfica iria registar talvez o grito a favor da vida mais eloquente conhecido até hoje.

Enquanto Paul Harris cobria, na Universidade de Vanderbilt em Nashville, Tennessee, aquilo que considerou uma das boas notícias no desenvolvimento deste tipo de cirurgias, captou o momento em que o bebé tirou sua mão pequena do interior do útero da mãe, tentando segurar um dos dedos do doutor que estava a operá-lo.
A espectacular fotografia foi publicada por vários jornais nos Estados Unidos, e cruzou o mundo até chegar à Irlanda, onde se tornou uma das mais fortes bandeiras contra a legalização do aborto. A mão pequena que comoveu o mundo pertence a Samuel Alexander, nascido a 28 de dezembro 1999 (no dia da foto ele tinha 3 meses de gestação). Quando pensamos bem nisto, a foto é ainda mais eloquente. A vida do bebé está literalmente por um fio; os especialistas sabiam que não conseguiriam mantê-lo vivo fora do útero materno e que deveriam tratá-lo lá dentro, corrigir a anomalia fatal e fechá-lo para que o bebé continuasse seu crescimento normalmente.
Por tudo isto, a imagem foi considerada como uma das fotografias médicas mais importantes dos últimos tempos e uma recordação de uma das operações mais extraordinárias efectuadas no mundo.
A história por trás da imagem é ainda mais impressionante, pois reflecte a luta e a experiência passadas por um casal que decidiu esgotar todas as possibilidades, até o último recurso, para salvar a vida do seu primeiro filho.
Essa é a odisseia de Julie e Alex Arms, que moram na Geórgia, Estados Unidos. Eles lutaram durante muito tempo para ter um bebé. Julie, enfermeira de 27 anos de idade, sofreu dois abortos antes de ficar grávida do pequeno Samuel. Porém, quando, completou 14 semanas de gestação, começou a sofrer câimbras fortes, e um teste de ultra-som mostrou as razões. Quando foi revelada a forma do cérebro e a posição do bebé no útero, o teste comprovou problemas sérios.
O cérebro de Samuel estava mal-formado e a espinha dorsal também mostrou anomalias.
O diagnóstico, como já era esperado, foi de que o bebé sofria de espinha bífida e eles poderiam decidir entre um aborto ou um filho com sérias incapacidades.
De acordo com Alex, 28 anos, engenheiro aeronáutico, eles sentiram-se destruídos pelas notícias, mas o aborto nunca seria uma opção. Em vez de se deixar ir abaixo, o casal decidiu procurar uma solução pelos seus próprios meios e foi então que ambos começaram a procurar ajuda através da Internet. A mãe de Julie encontrou uma página que trazia detalhes de uma cirurgia fetal experimental desenvolvido por uma equipa da Universidade de Vanderbilt. Deste modo, entraram em contacto com o Dr. Joseph Bruner (cujo dedo Samuel segura na foto) e começou uma corrida contra o tempo.
Uma espinha dorsal bífida pode levar a danos cerebrais, gerar paralisias diversas e até mesmo uma incapacidade total. Porém, quando pode ser corrigido antes de o bebê nascer, muitas são as chances de cura. Apesar do grande risco por o bebê não poder nascer ainda naquele momento, os Arms decidiram recomendá-lo a Deus. A operação foi um sucesso. Nela, os médicos puderam tratar o bebé, cujo tamanho não era maior do que o de um porquinho da índia – sem o tirar do útero, fechar a abertura originada pela deformação e proteger a coluna vertebral de modo a que os sinais vitais nervosos pudessem ir agora para o cérebro.
Samuel tornou-se o paciente mais jovem que foi submetido a esse tipo de intervenção e, embora ainda não tenha sentido a pele da mãe e ainda não conheça o mundo que há fora do útero, é perfeitamente possível que Samuel Alexander Arms aperte novamente a mão do médico Bruner.

http://aborto.aaldeia.net/uma-fotografia/



A grande polêmica é "religião x ciência".
A ciência diz que o “inicio da vida” é a partir da formação do sistema nervoso central de uma pessoa. Já a religião diz que é a partir da fecundação.

Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém...é crime...
Tem o caso de estupro... Onde a mulher foi uma vítima de violência, ela sofre um trauma inesquecível. Até que ponto vai ser bom para a saúde mental dela ter esse filho? Pode ser uma escolha do tipo saúde mental x uma vida.
Quem sou eu para julgar a verdade, senão Deus.
O que podemos afirmar é que, PROIBIDO OU NÃO, o aborto acontece no Brasil.
Quantas adolescentes o fazem com maior normalidade! Isto é algo tão presente no cotidiano de algumas pessoas! Quantas vezes sabemos de pais que estimulam que isso aconteça?!!!!
Quantas mulheres casadas até já o fizeram??!!!
A questão é: nunca vi nenhuma dessas pessoas serem punidas por matar outro ser.
A banalidade do sexo e  a baixa auto estima, que conduz a não necessidade de prevenção, faz com que o aborto seja comum.
O que podemos concluir é que o Planejamento familiar é a base da prevenção de diversos problemas da sociedade, inclusive do aborto (exceto nos casos de violência).
Enfim, quem está certo? Ciencia ou religião???